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Crise de energia impulsiona construções sustentáveis

construção sustentável - telhado com painéis solares

Crises se apresentam como oportunidades de mudanças ou crescimento, o Brasil e o mundo estão experimentando uma crise energética sem precedentes na história. Como construtoras e incorporadoras podem atuar sem reduzir sua lucratividade ou agredir o meio ambiente e superar a crise de energia?

A raiz do problema está na destruição do meio ambiente que remete ao ciclo vicioso do desmatamento, assoreamento e redução do volume d’água dos rios com impacto direto na queda da formação de nuvens e produção de chuvas. 

Assim, enquanto a água fica cada vez mais escassa, a energia elétrica, seja de origem fóssil ou hidráulica, está cada vez mais cara. Como principais insumos da vida humana, portanto, precisam ser economizadas ou recicladas, para que não desapareçam e os seus custos sejam suportados pelos usuários.

Para as construtoras, a crise energética abre uma janela de oportunidades para o desenvolvimento de projetos e oferta ao mercado de edifícios comerciais e residenciais com o selo da moda: sustentabilidade.

Ao seguir essa tendência, a construção civil vai ao encontro dos anseios de um consumidor que batalha por um ambiente cada vez mais limpo e menos degradado, com qualidade de vida em todos os seus aspectos e que carregue junto praticidade, conforto e economia. Um imóvel com essas características bate forte no coração do consumidor comprometido com o equilíbrio do mundo.

O que faz um empreendimento merecer esse status, também conhecido como “selo verde”, é, segundo o engenheiro Marcos Casado, a edificação ter em sua concepção, construção e operação, o uso de conceitos e procedimentos reconhecidos de sustentabilidade ambiental, proporcionando benefícios econômicos e de saúde, além de bem-estar às pessoas.

Gerente-técnico do Green Building Council Brasil (GBC Brasil) – órgão que no país viabiliza os empreendimentos a obterem a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), Casado defende até mesmo que o governo federal priorize em seus programas habitacionais a construção de casas com sustentabilidade ambiental.

Segundo ele, vários itens de certificação poderiam ser introduzidos nessas construções como sistemas de reuso das águas das chuvas, sistemas de aquecimento solar, ventilação e iluminação natural, acessórios de redução do consumo de água, com instalação de torneiras de fechamento automático e de válvulas de descarga com duplo fluxo.

Isso não envolve necessariamente custos adicionais, basta somente o conhecimento e vontade de fazer”, afirma Casado.  Ele calcula que o impacto sobre o preço da obra seria de até 4%, mas a economia futura pode ser superior a 30% na conta de energia e de até 50% na de água.

De acordo com o engenheiro, poderiam ainda ser empregados na obra materiais e tecnologias que agridam menos o meio ambiente, como tintas e materiais sem COV´s, lâmpadas e equipamentos econômicos, materiais reciclados ou com conteúdo reciclado como o cimento CPIII ou CPIV, e que também geram menos CO2 na sua produção.

O projeto Condomínios Verdes, do SecoviRio, considera que para serem considerados verdes, os edifícios devem seguir algumas regras e determinações, criando assim uma série de características comuns. As mais importantes são:

– Uso eficiente de água e energia;

– Coleta seletiva e gestão de resíduos ativa e eficiente (reciclagem);

– Aproveitamento de luz natural (solar) e vento;

– Prioridade para uso de materiais ecologicamente corretos produzidos localmente, com o objetivo de diminuir o gasto com energia necessária para transporte de materiais;

– Impacto reduzido na região de entorno através da diminuição de emissão de gases de efeito estufa, o que contribui para melhoria na qualidade do ar;

– Integração dos custos de construção com os custos de operação do edifício ao longo de toda a sua vida útil.

Acesse para ler sobre ‘Permutas de terrenos para a construção’.

Para Felipe Faria, diretor da GBC Brasil, ao seguir essas regras, o edifício maximiza os ganhos econômicos ao mesmo tempo em que mitiga os impactos socioambientais negativos, reduz o uso de recursos naturais e melhora a qualidade de vida e o bem-estar de quem o ocupa.

Para isso, todas as fases da vida do edifício devem ser pensadas: dos impactos para o entorno durante a construção à conscientização dos ocupantes, porque no final das contas quem aciona a válvula de descarga ou faz mau uso da eletricidade é o usuário”, diz.

Segundo ele, “as tendências mundiais para os próximos anos mostram que a qualidade de vida e o bem-estar das pessoas serão as bases para que projetos sejam planejados, soluções sejam desenvolvidas e inovações sejam implementadas.”

Nesse contexto, o edifício verde integra hoje um mercado próspero, e a indústria da construção sustentável movimenta trilhões de dólares, atrelando também o mercado de materiais sustentáveis, chegará a um valor de 234 bilhões de dólares até 2019, em termos globais.

Quarto colocado no Ranking Anual dos 10 Países e Regiões divulgado em fevereiro nos Estados Unidos, o Brasil, com mais de 460 empreendimentos certificados LEED, que totalizam mais de 14.8 milhões de metros quadrados certificados, integra esse mercado. Estamos atrás apenas de China, Canadá e Índia, excluído o próspero e líder mercado imobiliário norte-americano.

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Além dos benefícios sociais e ambientais, as construções sustentáveis são consideradas hoje o melhor modelo de negócio no segmento, agregando valor ao imóvel e promovendo economias nos custos operacionais das edificações.

Estudo da Fundação Getúlio Vargas, liderado pelo professor Odilon Costa que analisou mais de 2.000 prédios comerciais na cidade de São Paulo, aponta que apenas o fator “certificação LEED”, independente de outros fatores como localização, idade da laje, tamanho, dentre outros, favorece uma valorização por metro quadrado no aluguel de 4% a 8%. Isto sem prejudicar a ocupação, uma vez que também foi constatado que as construções certificadas LEED registraram taxa de vacância de 28,6%, contra 34,1% nas edificações não certificadas

Para o arquiteto Glaucio Gonçalves, por estar diretamente relacionada à conscientização versus interesses do setor de construção civil, a arquitetura sustentável ainda é um grande desafio a ser perseguido. Em artigo publicado no portal da Arquitetura, Engenharia e Construção ele afirma que conceitos como a utilização de sistemas de energia mais eficientes e menos poluentes “são ignorados e nada é feito para controlar os abusos contra o meio ambiente.”

Segundo ele, aspectos mínimos não têm sido adotados, como processos de coleta e tratamento de água e esgoto, captação de águas pluviais, melhor qualidade de ar interno e conforto ambiental, coleta seletiva de lixo, redução de geração de resíduos etc.

O fato é que esse cenário só vai mudar de verdade quando houver uma conscientização coletiva com o meio ambiente, pois a sustentabilidade tem como princípios básicos três questões: a ambiental ideal, a social e a economicamente correta. Cada um de nós pode incorporar em nossas vidas um padrão de sustentabilidade inicial e perceber que, ao longo dos dias, semanas, meses e anos, esse mesmo processo já será um hábito. Mas isso ainda é um sonho a ser atingido!

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